segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Cenas de uma segunda-feira

Passarinho canta lá fora.

Criança brinca contente

Mulher pega a vassoura

Vento sopra discretamente


As folhas rebolam no alto

Eu olho e me delicio

E pela janela vejo

Uma fêmea em pleno cio.


Observo a água límpida

Que leve cai da torneira

O semblante da mulher cansada

Coisas de uma segunda-feira.


São cenas de uma semana

Que se inicia preguiçosamente

Sem novidades e pompas

Só as mesmas coisas de sempre.


*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery

domingo, 13 de setembro de 2020

Homem Marginal


             

   Dia muito quente

   Abafado

  Céu cinzento

  Esfumaçado.


  Fogo queima

  No Pantanal

  Dói na alma

  Faz muito mal.


  Homem cruel

  Que maltrata e mata

  É um miserável

  É um ser pirata.

  

  É um idiota

  É um boçal

  Um ganancioso

  Um marginal.


*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Embalo sonolento


O trem apitou

O vento gemeu

A árvore balançou

A cidade adormeceu.


Nesse embalo sonolento

Todos sonham que um dia

O despertar será diferente

Sem a mordaça que angustia


O medo terá ido embora

O aprisionamento virará alforria

O vírus que adoece e mata

Perderá essa "guerra fria".


Oxalá, o homem aprenda!

Que com a vida não se brinca

E humildemente reconheça

O quanto a existência é rica.


*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Bia, Bia, Beatriz

             

Doce, meiga e pequenina.

Com seu olhar cativante.

Bia sorri para a vida.

E dá seus passos iniciantes

 

Só não tenha pressa menininha!

Um passo de cada vez.

Serão tantas descobertas.

 Por isso, eu peço: sensatez!

 

Você verá linda criança!

 Que o mundo é grande e desigual.

 Com diferentes tamanhos

 Do diminuto ao colossal.

 

Não se afobe. Tenha calma! 

Parcimônia e sabedoria.

 Faça tudo equilibrado

 Com amor e harmonia.


 E quando já estiveres pelo mundo

 Lembre-se do que aprendeu.

 Do amor, afeto e respeito

 Que dos seus pais recebeu.

 

Dessa forma, Bia, Bia, Beatriz!

Cresça e voe mundo afora.

Você estará pronta e segura

 Para viver e ser feliz!


*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.                                     

terça-feira, 25 de julho de 2017

Desalinhamento


Dia sonolento e longo.
Cheiro de café fresco na cozinha.
Sombra refletida na janela.
E a inquietude que azucrina.

O vazio invade o espaço.
Traz uma sensação infinita.
Sentimentos se misturam.
Coração bate forte. A alma grita!

É a desconstrução do construído.
O avesso de uma mesa posta.
O início de um redemoinho.
O desalinhar, a reviravolta.

*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Analogia



Ela tem os seus humores
Suas faces e seus ciclos.
Brinca e zomba da gente
Somos sempre surpreendidos.

Ilude-se quem argumenta
Que ela é fraca e previsível.
É cheia de jogos e tramas.
E nos torna suscetível.

Tem dias que ela é assim:
Tem riso e choro, ao mesmo tempo.
Morte e nascimento.
Mudanças de comportamento.

Ela é contradição.
Com dupla existência.
A cara e a coroa. 
A mão e a contramão.

Com seus lados diferentes
O pálido e o rosado.
Provoca medo e fantasia.
A agonia e a euforia.

Não importa o que aconteça.
Ela é certa e derradeira.
Não vacila um só instante.
Cumpre à risca e é certeira.


*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Nossas singularidades.



Nosso corpo, nosso habitat.
Nosso palco de encenações.
Nossa autobiografia.
Vivências e atuações.

Nossa alma, nossa energia
Nossa parte imaterial
Nossa índole revelada
Nosso eu, imortal.

O corpo nos expõe pela metade. 
Quando revela a aparência
A alma nos expõe com plenitude
Ao revelar a nossa essência.

A alma e o corpo, conflitam!
Não concordam em vários pontos.
Para a alma, a emoção liberta.
Para o corpo, os padrões importa.

São duas singularidades, que nos configura.
Embora diferentes e desencontradas.
Uma se apresenta como corpo: físico.
E a outra se apresenta como alma: abstrata.


* Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.