terça-feira, 7 de maio de 2024

Recado.

 

Nos conhecemos a tanto tempo!

Época em que éramos apenas dois jovens, com um mundo a construir.

E construímos nossas histórias, embora separadamente.

E a vida. Ah a vida! Girou, girou e muito rápido.

Porém, mesmo com tantos movimentos velozes e contrários,

a própria vida, sempre deu um jeito torto de nos aproximar.

Embora, só paralelamente, como os trilhos que saem 

de qualquer estação, para qualquer estação!

E de uma forma intricada, não sei como,

eu te conheço, embora você se defenda e se esconda!

Vejo o doce, a leveza, os medos e as vulnerabilidades que traz na alma.

Mas, respire um pouco. Só viva! Não se esconda, não se defenda tanto.

Você não vai se quebrar, não vai se tornar pequeno

Só vai dar uma chance a Você!

Esse é o recado que eu quero deixar para você.

Recado de quem conheceu há muito, 

a pessoa doce, amorosa, frágil e triste que é você.


Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Dia Morno e Sem Tempero.

 Tem dia que é assim!

 Morno e sem tempero.

 Tudo sem cor, sombrio.

 Tudo como um nevoeiro!


As horas, aparentam não passar.

Os ponteiros parecem não funcionar

Embora, o tic - tac do relógio,

Não para de barulhar, o tempo inteiro!


A cada tic, meu coração estremece.

A cada tac, minha alma padece.

Parecem lembrar uma angústia e

uma dor, que nunca se esclarecem!


E assim, o dia termina.

Morno como a temperatura.

O sono chega e me acalenta

E o descanso da noite me cura.


* Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

terça-feira, 30 de maio de 2023

Palavras Embotadas


Não consigo escrever.

Não consigo me expressar

Tenho tanta coisa a dizer.

Tenho tanto, o que desatar.


Tem lembranças, saudades,

ideias e questionamentos.

Tem hipóteses, dúvidas,

curiosidades e tormentos.


As palavras estão mudas,

desatentas ou preguiçosas.

Talvez estejam adormecidas,

ou talvez, misteriosas!


Quem sabe em outro momento.

Quem sabe em outra hora.

As palavras reajam

e ponham tudo para fora.


* Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.


Dia Umedecido

Dia molhado, embebecido!

Folhas verdes e gotejantes.

Terra encharcada e fecunda.

Pássaros voando esfuziantes!


Eu, da janela aprecio a tudo,

envolta em meus sentimentos.

Celebro a vida, o instante!

Me aquieto, e gozo o momento.


O vento fresco, acaricia a minha face.

Fecho os olhos e aproveito calmamente.

As narinas se abrem, sem dificuldade.

O ar aquoso, me penetra profundamente!


Respiro fundo e experimento,

a suavidade e a refrescância.

O corpo agradece o carinho.

A alma fica leve e criança.


* Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.


sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Pinto Trapalhão.


O pinto da minha avó, voou e subiu na pia.

Pois lá cismou, que brincar ele podia.

É um pinto teimoso e de muita rebeldia.

E de tanto ser assim, sempre causa estrepolia!


Quebrou pratos, copos, mexeu em tudo que podia.

Bebeu água, e comeu gulosamente, uns grãos.

Ficou engasgado e bem empapuçado.

Mas, logo em seguida, deu um forte arrotão!


E pinto engasgado

É engraçado de ver!

Retorce todo o pescoço

Para a comida descer.


Mas, esse pinto é  também atrapalhado!

Escorregou, caiu, rodopiou pela pia.

Prendeu o pé no ralo e ficou muito assustado.

Com medo e apavorado, chamou pela família.


Piou forte, piou alto, piou escandalosamente!

Piou para toda a bicharada do quintal ouvir.

Correu o galo, a galinha, o pato e o pavão.

Todos  se desesperaram e acudiram o trapalhão!


* Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.


segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Prazer Em Mim

 

Tenho prazer em mim

De ser o que hoje sou

E de cada estopim

Que me transformou.

 

Tenho prazer dos meus medos

E das minhas limitações

Dos meus enredos

E das minhas composições.

 

Tenho prazer da minha história

De tudo até agora vivido

Da minha trajetória

E até do que foi perdido.

 

Tenho prazer das conquistas

E das árduas vitórias

Das metas alcançadas

E das minhas memórias.


Tenho prazer da mulher

Que a cada passo me tornei

Da garota que um dia eu fui

E de tudo que me transformei.

 

Tenho prazer da vida

Das pessoas queridas

De cada gargalhada dada

E das inevitáveis feridas.

 

Tenho prazer da minha essência

E das minhas aberrações

Do ser humano falível

Das minhas imperfeições.


* Texto de Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Caminhos Invertidos

 

 

Cansada, alheia e cabisbaixa

A mulher passa na calçada

Sustenta sacolas pesadas

Caminha de forma pausada.

 

Com uma pequena corcunda

Semblante bem castigado

Parece carregar um fardo

Com seu corpo fustigado.

 

O olhar muito tristonho

Braços bem definhados

É uma figura castigada

Pelas circunstâncias da vida.


O dia só começando

E ela, com compromissos

Mas, outra mulher lhe chama

E ela esboça um sorriso

 

As duas conversam bastante

Parecem ser grandes amigas

Falam dos acontecimentos

E das pessoas queridas.


Depois de uma longa palestra

Elas seguem seus caminhos

A mulher, com seus passos fatigados.

A outra, com os seus mais descansados.



* Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.