domingo, 29 de abril de 2012

Introspecção


Silêncio,
Reflexão,
Pausa,
Respiração.

Silêncio,
Reflexão,
Pausa,
Meditação.

Silêncio,
Reflexão,
Pausa,
Ponderação.

Silêncio,
Reflexão,
Pausa,
Resolução.

Silêncio,
Reflexão,
Pausa,
Introspecção.



*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

domingo, 11 de março de 2012

Lembranças


Lembranças têm cheiros e cores.
Sons, texturas e sabores.
Memórias, relíquias, bibelôs.
E um jardim cheio de flores.

Lembranças têm pinguim de geladeira,
Xícaras de porcelanas delicadas.
A velha máquina de costura,
E a antiga penteadeira.

Lembranças têm a casa da vó.
A rede e a comida caseira.
Aroma de café coado da hora.
O mingau e o bolo pão-de-ló.

Lembranças têm conversas corriqueiras.
Cantigas, lendas e histórias infantis
Festa no céu, lenda do boto, boi da cara preta.
São nostalgias e recordações prazenteiras.




*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Olhar da criação


Uns rabiscos
Um contorno,
Um formato,
Uma emoção.

Uma nota,
Uma pauta,
Uma ideia,
Uma canção.

São os sentidos ativos.
Sensibilidade e sensações.
Produzindo melodias
Sob o olhar da criação.



*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Quando conheci minha tia!

Sempre gostei de viajar a Corumbá, cidadezinha calma onde o tempo pára e o pensamento continua. Mas, não hei de esquecer a viagem em que conheci minha tia. Claro que já a conhecia antes: a tia-amada, tia única, tia que parecia mais comigo do que minha mãe! Porém, conhecer mesmo não. Tia igual às outras ela não era mesmo, mas de jeito nenhum. E isso só soube lendo vários textos que ela escreveu.
Descobri que ela à medida que vivia a vida sob a sombra do cotidiano, mantinha o pensamento ativo, o que fazia com que tivesse vontade de se perguntar quase sempre: O que somos afinal? E simplesmente com o uso da palavra fazia de um papel em branco uma erupção de leveza e cor, se renova(ano) sempre, se revelando sempre ...
Revelando? Revelando o que? As facetas do bicho-homem, As singularidades da vida, As metamorfoses da sociedade, As fases do coração humano e uma vontade de expressar toda a singularidade e até desequilíbrios de uma eterna menina-moça sempre entre a razão e emoção, vida e erupção que a fazem se fortalecer.
Entre esses devaneios que somente o escrever é capaz de mostrar uma sensibilidade imensa que poetiza desde um pingo d’água até uma Lua crescente, uma chuva cristalina em plena primavera. A tarde agora é dela... E não mais uma tarde de janeiro como muitas que se vão com um assopro de um dia.
Minha tia tem também as sinuosidades da mulher, assim como uma família normal, mas ainda isso não a torna igual às outras titias por aí. Pois, só essa tem, e de verdade, uma forte referência de vida, o pai (meu avô), que nem o tempo lhe tirou a nobreza. E a mãe bordadeira (minha avó) festejando sempre e todo o dia. Tem também um ex-menino, agora já moço feito, que traz saudades da criança, da infância sempre tão bonita. 
Pois esta é minha tia! Descoberta e cheia de encantos, com sua cidade das almas pequenas, das almas que choram, e que exala cor e alegria, tal qual Dália e sua história de vida, seu corpo amante e amado quando cai no entorpecimento da vida, busca o sono e, então sonha com a cor e o movimento do palhaço ou com brinquedos de papel a voar!
E eu que sou sobrinha, e não uma Luísa desconhecida ou simples estrangeira, digo e repito para quem quer ouvir que tia – agora sim – única como essa, não tem em outro lugar!
Não hei de esquecer da viagem em que conheci minha tia...

* Texto de Autoria de Alice Maria de Figueiredo Souza (minha sobrinha - 16 anos).
* Foto de família.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A invisibilidade



Ficamos na expectativa que algo aconteça.
Esperamos que o ideal se concretize.
Fantasiamos só cores para a vida,
Que a imaginação se materialize.

Solicitamos, mas não somos percebidos.
Gesticulamos, mas não somos vistos.
Gritamos, mas não somos ouvidos.
Expressamos, mas não somos compreendidos.

Começo a acreditar na relação do invisível, 
Do faz de conta ou do presumível.
A visibilidade, vejo que é impossível!
Tudo se tornou impercebível.



*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

domingo, 17 de julho de 2011

Dália e sua história de vida.




Era uma vez um quintal grande e bastante caseiro. Típico dos quintais interioranos. Pertencia a uma senhora muito cuidadosa, afetuosa e organizada.
Neste quintal havia rosas e diferentes espécies de plantas: grandes, pequenas, tímidas, frondosas com flores matizadas, viçosas folhagens e até frutos. Também havia muitas borboletas, grilos, joaninhas e pássaros, entre eles, os beija-flores, assanhaços, rolinhas, pardais, João- de barro, sabiás e outros que se aventuravam em conhecer o quintal.
Além de ser bastante interiorano, existia no quintal muita harmonia, alegria, cor e calmaria. 
Nunca foi tratado por profissionais de jardinagem ou paisagismo, mas sempre bem cuidado com adubos compostos de carinho, capricho, afeto, delicadeza e amor, por parte da senhora, dona do quintal.
E entre as muitas variedades de plantas que havia neste quintal, uma não muito atrativa, tímida e insegura nasceu. E foi um nascimento cercado de fragilidades, incertezas e sofrimentos. A plantinha nasceu doente e assim permaneceu nos primeiros anos de vida. Por causa disso, todas as outras plantas adultas exclamavam: “Coitadinha, como é frágil!” “Como é miúda!” “Como é chorona!” “Como é triste!” 
A plantinha por ser doentia vivia choramingando e aborrecida, segundo as plantas idosas. Mesmo assim, a senhora dona do quintal, não desistia da plantinha. Esta a enchia de atenção, carinhos, cuidados e segurança. Mostrava sempre que ela era tão importante quanto às outras plantas.
Porém, os anos foram passando e a plantinha crescendo, desenvolvendo-se, mas sem os atrativos das outras plantinhas de sua idade. Mesmo assim, era muito esperta, ativa, travessa e inventiva. 
No canteiro onde estava plantada, a nossa protagonista arquitetava brincadeiras mirabolantes deixando as plantas adultas enlouquecidas. tinha o dom de fantasiar muito, a plantinha desta história.
Mas, o tempo passou, e ela não permaneceu sempre criança. Cresceu e transformou-se numa adolescente aparentemente desengonçada, comprida e magrela. Só aparentemente, porque aos poucos algumas características de sua espécie foram despontando. Até que ficou moça e depois, uma mulher. E todos perceberam que a plantinha se chamava Dália. 
Da mirrada, doente e sem graça, os habitantes dos canteiros e demais partes do quintal, passaram a conhecer uma planta atraente, feminina, delicada. E, como toda planta fêmea produziu além de flores coloridas, também um lindo e forte fruto.
Porém, essas características não foram as mais importantes. A nossa plantinha era determinada e impetuosa e, claro, começou a incomodar outras plantas. Na verdade, o que importunava era a sua inquietude, a sua fortaleza e atitudes corajosas diante das adversidades que surgiam em sua vida. Além, de se manter firme na luta constante e desigual que enfrentava pela sobrevivência, no canteiro onde vivia e também no quintal. 
E, à medida que o tempo passava tudo ficava mais difícil e desafiante. Ela lutava por mais espaços e solos mais férteis. Era convicta que merecia mais. E esta certeza ficava mais forte em sua consciência sempre que se movia acompanhando os raios do rei Sol. 
E neste movimento avistava outros ângulos no canteiro e no quintal, como também, novas possibilidades. E insistente e curiosa que era lutava até alcançá-las. E não via nenhum problema nisso. Para ela era natural ser assim. Era normal. Só estranhava o fato, de algumas plantas não apresentarem a mesma necessidade e movimentos diferentes. Só se ocupavam em desdenhar suas atitudes e seu crescimento, e alguns erros que cometia nesse processo de conhecer o mundo. 
Claro, tudo na vida é uma aprendizagem e implica em acertos e erros, aliás, muito mais erros e frustrações. E assim, a nossa plantinha insistia em sua caminhada pela vida.
Com esse espírito curioso e destemido teve a oportunidade de conhecer e conviver em outros canteiros, outros quintais e também com outras espécies de plantas. Conheceu muitas, As mais exóticas e exuberantes, até as mais comuns e simples. 
No entanto,, o que chamou mais atenção da nossa plantinha foi conhecer os diferentes estilos de plantas: plantas bondosas, sábias, generosas, brincalhonas, vividas, cultas e viajadas. Mas, também as cruéis, invejosas, mesquinhas, frustradas, limitadas, oportunistas e traiçoeiras.
Nesse universo de plantas, a nossa plantinha lutava por seu espaço, convicções e objetivos. Nessa luta, sofria muito, pois a sua curiosidade, coragem e inquietude despertavam a ira e inveja da demais plantas, principalmente, daquelas que não conseguiam se arriscar em conhecer outros canteiros e ousar ir até outros quintais. Era alvo de constantes comentários, olhares, maldades e cobiças. 
Como se incomodavam as outras plantas! Como eram infelizes e insatisfeitas!
E tudo isso, no começo perturbava, entristecia e adoecia a nossa plantinha. Tanto que quase murchou. Por pouco, não findou diante de “olhos” venenosos que a vigiavam a cada passo e conquista.
Todavia, como desafios e adversidades compuseram a história de vida de nossa plantinha, ela se reerguia sempre e cada vez mais amadurecida e lúcida. E foi o amadurecimento que a fez compreender que assim é a vida e as plantas. Existem estilos, espécies, tamanhos e com folhagens diferentes. Porém, cabe a cada planta reconhecer suas limitações e potencial. Como cabe também, a cada uma saber o que quer conquistar para sua vida. 
Ter a clareza disso é adquirir identidade e confiança em si mesmo. É entender também porque algumas plantas não são capazes de produzir os próprios movimentos. Ficam só prestando atenção no movimento alheio. E aí é lógico, não conseguem ampliar o próprio canteiro e explorar o seu quintal. Transformam-se em plantas parasitas, oportunistas, opacas e pálidas. Os passarinhos não se aproximam. Os beija-flores não encontram néctar. As joaninhas não se sentem atraídas em passear pelos seus caules. Os grilos não as procuram para cantar entre as suas folhas. É tudo muito insípido, estéril e sem graça.
A moral desta pequena história de Dália é que as plantas não precisam nascer em quintais ou jardins com sofisticadas técnicas e adubos. 
Só necessitam ser bem cuidadas e adubadas na quantidade certa. Precisam regadas em momentos adequados e tratadas com afeto e respeito. Isso as deixará preparadas para todo tipo de solo, canteiros, quintais e adversidades que possam acontecer nas suas vidas.
É importante que cresçam cercadas de segurança e confiança, para que consigam perceber que podem tornar os seus canteiros, jardins ou quintais bonitos, ricos e com muitas possibilidades.
Assim, conseguirão entender os olhares de tristeza, amargura e inveja de algumas plantas, que por não terem recebido o afeto e cuidado necessários, se tornam frágeis, amargas e opacas. Por isso, e passam a vida a vigiar a cor e vitalidade das plantas corajosas, ousadas e bem cuidadas.




*Autoria de Maria Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Quase sempre.



Quase sempre tudo se completa.
Quase sempre tudo se repete.
Quase sempre tudo é alcançado.
Quase sempre o sonho é conquistado.

Quase sempre a verdade é falada.
Quase sempre o fato é revelado.
Quase sempre um olhar é entendido, 
A palavra é pronunciada e o grito é ouvido.

É sempre o quase, 
A possibilidade.
É o jogo. 
É a probabilidade!



*Autoria de Mª Auxiliadora Negreiros de Figueiredo Nery.